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quinta-feira, 19 de julho de 2012

Notas mentais

Liberdade-alvoroço-euforia! Como pode se viver tanto tempo e só acontecer coisa boa após um longo interdito? Como pode ser o gosto da chuva tão igual e a suavidade dos passos até o ponto do encontro, tudo tão o mesmo?

De novo a praça, as gotas de chuva e os casais. Sua espera no banco, minha angústia de sempre estar atrasada trazendo-me os pés. Eu penso que sim, seria bom enfeitar seus domingos. Penso que acabou o tempo do engano. É que a cidade encanta demais, traz você e sua sensibilidade pra mais perto de mim. Por causa disso há sempre expansão interna, e a cada "você" que surge, novo botão floresce.

O rapaz de xadrez é tão bonito, moço! Quase percebo todas as cores dos seus olhos e os tons de sua pele, e aquele sinal, todo lindo, poderia tatuar um igual, só pra me sentir mais próxima. Suponho que só há lucidez depois que você parte. São pequenas declarações que nem sei se diria, mais fácil suspirar, desentender tudo.

Tenho feito surgir muito dessas coisas, mas acontece que é meio em vão, meio em vão, porque passa rápido, e logo a delicadeza se esvai; então murcho. Queria ter alguém que me mantivesse sempre florida. Mas anda tudo tão difícil hoje em dia, até os palhaços estão largando seus empregos e se tornando pessoas mais sérias, as pessoas andam correndo demais, dormindo de menos, sonhando, decerto, tão pouco. Se houvesse por aí um grande amor, eu cataria.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Blues

Me oferece um blues? Diz qualquer coisa que você já tá pra lá de marrakesh. Aceito o papo, engulo o whiski, não necessariamente nessa ordem. Você mexe qualquer coisa dentro mexecomigo, cara. Falei pelo ar, o som alto moveu cada palavra mais pra lá e caiu pelo chão, tentei ajuntar, não sobrava nem sequer um gingadin pra contar depois que fez samba em mim. Fez algo meio rock’n roll meio non sense, ele disse que era difícil encontrar alguém assim e eu realmente tava naquele papo meio otário entre sagitário e virgem. Estava tudo meio assim suspenso, meio te queroenãoseiporque.

Andei mais à frente. Deixei cair uma mão que buscava outra timidamente e, ás vezes , conseguia um afago de soslaio. Precisei recuar meus olhos que teimavam em não sair daquela boca. Pirei mesmo, bom que cê sabe. Precisei repousar meu sorriso num daqueles que grudam , de tão lindo que é e não deixar ele falar tanto em doces bábaros e novos baianos porque com certeza aquilo ia dar merda. Eu fiquei nessa de ia-vou gamar ininterrupto. Eu tenho coração, coração que escorrega e derrama. Que seja, paguei pra ver e enxerguei tudo almost azul, fiz ciranda de ti em mim. E daí eu acho mesmo é que você teve medo, nesse momento, foi um jeito, alguma coisa assim, que fez fumaça quando amanheceu.
Dissipou.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

A vida anda mesmo muito corrida.

Ando mesmo é sem poesia, sem companhia, aliás, veja só, a minha única companhia é a neura nossa de cada dia.

Ando por ai.

Ando por que as ruas tem braços abertos e mãos a nos dar.Quem dera tivesse forças pra nos carregar para outro lugar. Aquele onde as pessoas são felizes, mas meu Deus, como esse mundo é triste, e eu só posso ser leve, na mansidão de que é preciso. É apenas preciso.


"Pois está tudo onde deve estar, nada será ruim"